Uma aluna de doutorado da Faculdade de Enfermagem (Fenf) da Unicamp desenvolveu um aplicativo de celular chamado “Sal na Medida”, para incentivar a redução do consumo de sal. O feito é da enfermeira Mariana Perin, que desenvolveu o app com base em uma pesquisa que contou com a participação de 43 pessoas, de 20 a 59 anos. Os resultados são animadores.
Os participantes utilizaram o aplicativo por dois meses, registrando diariamente a quantidade de sal usada no preparo das refeições. A meta era que esse montante não ultrapassasse 3 gramas, já que o restante dos 5 gramas diários recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) viria de outras fontes. Além de registrar o sal usado, os usuários também tinham acesso a conteúdos informativos, como vídeos de orientação sobre como medir o sal e receitas para substituí-lo.
No início, os participantes consumiam em média 4,6 gramas de sal por dia. Após o período de utilização do aplicativo, o consumo caiu para 3,5 gramas. Além disso, 67% dos participantes demonstraram disposição em continuar reduzindo a ingestão de sal no dia a dia.
O “Sal na Medida” foi desenvolvido com base na metodologia Roda de Mudança de Comportamento (BWC), que busca compreender as motivações das pessoas e identificar padrões de comportamento para implementar mudanças. Além disso, a pesquisa contou com a colaboração dos usuários do sistema de saúde para desenvolver uma ferramenta que atendesse suas necessidades.
A pesquisadora Mariana Perin destaca que os resultados surpreenderam os usuários, que não imaginavam o quanto de sal consumiam. Para ela, o aplicativo ajudou na criação de novos hábitos e as pessoas acompanhadas queriam continuar usando a ferramenta devido à diferença que ela fez em suas vidas.
A questão do consumo de sal é um problema de saúde pública, já que o consumo elevado desse componente pode causar doenças como hipertensão, doenças cardiovasculares, osteoporose, obesidade e até mesmo câncer de estômago. Dados do Ministério da Saúde mostram que 26,3% da população brasileira sofre de hipertensão, sendo que entre os indivíduos na faixa etária de 55 a 64 anos, esse índice sobe para 49,4%. “Conseguimos apontar fatores determinantes no consumo de sal. Por exemplo, escolhas pessoais que apontam o porquê de uma pessoa ter esse comportamento e de que modo devemos agir para mudá-lo”, detalha Perin, que contou com a orientação da professora Marília Cornélio.
A redução do consumo de sal é uma medida simples e acessível que pode trazer grandes benefícios para a saúde da população. Embora o aplicativo não esteja disponível para download, os resultados da pesquisa indicam sua eficácia na mudança de mentalidade da população em relação à saúde. Além disso, ele pode ser aproveitado por órgãos governamentais na formulação de políticas públicas que promovam a conscientização sobre o consumo de sal e coloquem o cidadão como protagonista de seu bem-estar.